São arritmias originadas dos ventrículos direito ou esquerdo caracterizadas por extrassístoles ventriculares (ESV) ou taquicardias ventriculares (TV) que podem estar presentes em corações estruturalmente normais ( TVs idiopáticas, TVs secundárias às canalopatias (TVs da Síndrome de Brugada, da síndrome do QT longo, síndrome do QT curto, síndrome da onda J, TV polimórfica catecolaminérgica), TVs secundárias aos distúrbios hidroeletrolíticos entre outras causas) ou em corações com alterações estruturais ( secundárias às doença arterial coronária, miocardiopatia dilatada idiopática, cirurgia de correção de cardiopatia congênita ou valvar, displasia arritmogênica do ventrículo direito, amiloidose cardíaca, sarcoidose cardíaca, doença de Chagas, miocardites entre outras causas). As TVs sustentadas constituem uma importante causa de morbi-mortalidade em pacientes com cardiopatia estrutural. Taquicardias ventriculares podem ser classificados em:
1. Taquicardia ventricular monomórfica: no ECG complexos QRS têm morfologias semelhantes;
2. Taquicardia ventricular polimórfica: no ECG complexos QRS tem várias morfologias;
3. Taquicardia ventricular sustentada: quando a taquicardia tem duração maior de 30 segundos; Neste caso, deve ser imediatamente interrompida porque normalmente provoca tonturas ou síncope e não é tolerada pelo paciente;
4. Taquicardia ventricular não-sustentada: tem duração menos que 30 segundos;
5. Taquicardia ventricular com estabilidade hemodinâmica: o paciente se queixa apenas palpitações, sem perda de consciência;
6. Taquicardia ventricular com instabilidade hemodinâmica: o paciente começa a queixar-se palpitações, cansaço extremo e, em seguida, rapidamente perde a consciência. Em alguns casos, a perda de consciência é imediata. A capacidade do paciente de tolerar a taquicardia sem desmaio ou sem sentir falta de ar (tolerância hemodinâmica) depende de dois fatores: a frequência cardíaca durante a taquicardia e função ventricular esquerda.
Uma forma particular de TV é a “torsades de pointes”. Esta taquicardia é geralmente associada a um eletrocardiograma apresentando intervalo “QT longo”. Esta anomalia pode ser congênita, mas é muitas vezes causada por medicamentos de uso frequente.
Diagnóstico
– História Clínica
– Exame Físico
– ECG
– Holter 24h
– Ecocardiograma: avaliar doença cardíaca estrutural
– Teste Ergométrico: identificar doença isquêmica
– Sorologia para doença de Chagas
– Ressonância Nuclear Magnética
– Cintilografia do Miocárdio
– Testes genéticos
– Biopsia miocárdica
Tratamento
– Drogas antiarrítmicas: TVs Idiopáticas: adenosina, verapamil e betabloqueadores; TVs com alterações estruturais: fármacos da Classe Ia e III (Amiodarona), sotalol > considerar efeitos colaterais cardíacos e sistêmicos relacionados ao uso por longo prazo.
– Implante de Cardiodesfibrilador (CDI) : prevenção de morte súbita
– Ablação por cateter: Tratamento de eleição nas TVs idiopáticas muito sintomáticas ou quando há evidência de piora da função ventricular em decorrência da arritmia. É também uma opção importante como tratamento coadjuvante nos casos recorrentes e refratários às drogas antiarrítmicas nas TVs com cardiopatia estrutural.